A fossa de Sam Smith e a festinha do Maroon 5 se completam

A fossa de Sam Smith e a festinha do Maroon 5 se completam

O último registro do grupo de Adam Levine foi o “V”, quinto trabalho deles. Não existia alguma pressão da crítica, gravadora ou fãs. Com o sucesso de “Sugar”, a música continuou rodando em rádios e TV – quando fui ver a ficha técnica do álbum deles, fiquei surpreso que ele ficaram quatro anos sem lançar um disco. Parece bem menos.

O Maroon 5 parece ter achado a fórmula para criar hits e ela deve ter sido desenvolvida quando eles estavam compondo o segundo álbum.

Para quem não se recorda, eles estouraram com o “Songs About Jane”, até hoje o trabalho que reúne a maior parte dos sucessos da banda e, de lambuja, o que vendeu mais na história dos rapazes. O sucessor do CD que tinha “This Love”, “Harder to Breathe” e “Sunday Morning” foi o “It Won’t Be Soon Before Long” – que completou uma década em 2017.

Um disco redondo que pisava no funk, eletrônico, soul rock e explorava um pouco mais os agudos de Levine nos refrões chicletes. Para quem ainda ouve rádio é algo super comum ouvir estas canções dentro da programação.

De lá para cá, o Maroon 5 lançou discos regulares que traziam dois ou três hits estrondosos. “Hands All Over”, “Overexposed” e “V” são discos que os fãs querem, eles têm canções românticas com o mesmo roteiro de sempre. Ao ouvir “Red Pill Blues”, a mesmice das músicas e da receita que o grupo continua executando traz conforto para quem gosta. É o bom e velho grupo de sempre. Simples.

As participações que o Maroon 5 trouxe são de grosso calibre. A SZA responsável por um dos grandes álbuns da temporada, aparece em “What Lovers Do”, a compositora Julia Michaels e o produtor hypado Diplo surgem em “Help Me Out” e A$AP Rocky, uma das sensações da nova safra do rap americano, é o rimador em “Whiskey”. Um time de peso para “Red Pill Blues”. A única coisa tosca deste CD é a capa. Parece que eles esqueceram da arte e enviaram qualquer foto com efeitos de Snapgram. Tosco.

Ao contrário da instituição Maroon 5, Sam Smith tinha um hit incrível chamado “Lay Me Down” quicando em rádios e em pistas de danças (com a ajuda de alguns DJs). Seria uma apenas sorte de um principiante? Isso foi no começo de 2013 e fez as publicações ao redor do mundo ficarem afoitas com este menino. Quem é? Onde escutamos mais músicas?

A espera foi longa. Smith soltou mais uma inédita apenas um ano depois, em fevereiro de 2014, com “Money on my Mind” e, na sequência, o carro chefe do disco que iria sair, “Stay With Me”. Por mais que o disco “In The Lonely Hour” fosse uma ótima surpresa e continha hits talhados para bombar num futuro não muito distante, Sam brigava, de forma amistosa, com outros dois cantores que também traziam novidades: George Ezra e Ed Sheeran. Foi uma ótima briga no cenário britânico e Sam Smith fez o seu nome.

Com músicas que escancararam o que ele passou em relacionamentos, Smith conseguiu ganhar o público com o jeito que sabe a hora de sussurrar e a hora de botar o vozeirão na mesa. Em ‘The Thrill of the All’, ele continua na mesma pegada que o fez aparecer para o mundo em sua estreia. ‘Too Good at Goodbyes” e “One Last Song” foram feitos sob medida para avisar que o cantor londrino estava de volta.

Para este disco, Sam Smith fez o que qualquer cantor que estourasse, faria. Viu o que deu certo no último e aplicou, sem rodeios. Claro, neste registro existem alguns floreios que trazem um peso interessante como o resgate de coros gospel, soft R&B e o simples que o colocou nos holofotes em sua estreia. Piano e uma voz potente com boas histórias. Além dos singles, vale destacar “HIM”, “Pray”, “Baby, You Make Me Crazy” e “No Peac”’. Aliás, vamos falar um bocadinho a mais sobre esta faixa.

Sam Smith trouxe Yebba para participar desta faixa para dançar com o rosto coladinho. Em um primeiro momento, qualquer pessoa iria pensar que a inserção de uma artista novata em um disco muito aguardado no calendário seria algum atalho de alguma gravadora para simples promoção. Mero engano. Yebba é fã de carteirinha de Sam Smith desde o EP/Demo Nirvana. Em seu Facebook, a cantora rendeu-se ao cantor em um post bem emocionante:

“Sam, sua música salvou a minha vida em meu primeiro ano de faculdade quando escutei Nirvana. Sam, eu estou tão orgulhosa de quem você é sua abertura à vida, sua esperança incansável de encontrar o bem no mundo, sua expressão destemida mas intencional da sexualidade, sua integridade para a arte, e sua bondade de coração aberto em direção a mais escura das emoções – Sim. Estas são as razões pelas quais acredito que você todos os nossos corações.”

Ela lançou um single em outubro chamado “Evergreen” e é um grande som. Se apenas 10% dos fãs do Sam Smith conhecerem a Yebba, já valeu a conta. É um grande talento. Sam Smith poderia trazer qualquer cantor, rapper ou produtor para participar deste balaio, mas apostou neste nome. Grande acerto.

O fim desta temporada para o pop está seguindo em um bom caminho. Quais nomes poderiam soltar algum som para saciar os fãs? Vendo o cenário atual, eu gostaria de ouvir algo do Stromae. De resto, estamos bem servidos. Sam Smith é o lado romântico, meio fossa e meloso. Maroon 5 é o lado dançante, radiofônico. Uma ótima combinação.

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O jornalista paulistano, produtor musical e marketeiro Brunno Constante analisa, pondera, escreve e traz novidades sobre música no Papelpop todas as terças-feiras.

 

Fita Cassete é o alterego de Brunno quando ele fala sobre o assunto.

Quer falar com ele? Twitter: @brunno.


* A opinião do colunista Brunno Constante não necessariamente representa a opinião do Papelpop. No entanto, por aqui, todas as opiniões são bem-vindas. :)

Fonte: Papel Pop